Amelia Warner: “Cansei de atuar porque meu coração nunca esteve nisso”

Entrevista concedida para o The Independent UK em dezembro de 2011.

Como atriz, Amelia Warner tinha tudo. Então por que ela abandonou essa profissão para cantar covers de músicas famosas dos anos oitenta? Ela conta para Charlotte Cripps nesta entrevista.

A cantora Slow Moving Millie, também conhecida como Amelia Warner,  é talvez mais conhecida pelo seu papel como Lorna Doone no drama da BBC de 2000 de mesmo nome. Ela também chegou aos jornais quando, um ano mais tarde (aos 19 anos de idade) “casou” com o ator Colin Farrell em uma cerimônia não-oficial em uma praia do Taiti.

“Era isso ou a alimentação de tubarões na recepção do hotel”, diz Warner humildemente quando nos encontrarmos. “Foi apenas um homem segurando uma concha. Colin e eu usamos roupas normais ” Embora o casal tivesse noivado de verdade, eles se separaram quatro meses depois. “Como todo primeiro amor, terminou em lágrimas e desgosto”, acrescenta Warner.

Mas apesar de seu histórico de atuação, a maioria das pessoas já ouviram Warner cantando sem nem mesmo saber. Seu cover de “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want” foi pego por John Lewis para o seu anúncio de Natal após a Universal Music apresentar a canção. E agora Warner – que também interpretou a jovem noiva de Michael Caine em Quills (com apenas 18 anos), colocou a atuação firmemente atrás dela.

Ao invés disso ela acaba de lançar um álbum de covers – Renditions – sob o nome de Slow Moving Millie. Ele apresenta versões despojadas de clássicos dos anos oitenta, com Amelia tocando piano. As canções incluem “Love In The First Degree” de Bananarama, “Wonderful Life” do cantor Black e “The Power of Love”, que ficou famosa através da banda Frankie Goes To Hollywood. Apesar de sua voz delicada e assombrosamente bela, você não pode evitar e acaba ansiando a versão original das canções. Por sorte,  ela está em estúdio gravando seu álbum de estreia com suas próprias músicas, que ela descreve como “dramático”, “orquestrado com grandes arranjos”, e “ocupado” com uma “trilha sonora cinematográfica” . Duas de suas músicas originais estão no álbum Renditions (“Beasts” e “Hart with a Crown & Chain”) para dar um gostinho do mágico, mundo de conto de fadas de sua música. Warner, que assinou contrato com a Island Records, há alguns meses, está interpretando atualmente cerca de uma banda inteira.

“Sou apenas eu e um piano no momento”, diz ela. Suas influências musicais incluem os filmes de Tim Burton, bem como as músicas de Rufus Wainwright e Randy Newman – por causa ” das histórias em suas canções”. Muito tímida pessoalmente, Warner que tem uma qualidade vulnerável ligada a sua personalidade – ela está usando uma blusa vintage laranja e minissaia de seda floral – tem gasto uma enorme quantidade de energia superando sua fobia de estar no centro das atenções – um problema estranho para um artista.

“A constante pressão de ter que provar a mim mesma como atriz não combinou comigo. Cansei de atuar porque o meu coração nunca esteve nisso. Eu estaria em Los Angeles fazendo testes na frente de 30 pessoas. A sensação que eu tinha era que não queria isso “, diz ela. “Eu disputava contra muitas atrizes que lutariam com unhas e dentes pelo papel, mas eu não tinha aquela paixão. Não queria sofrer com os momentos de nervosismo. Me sentia exposta e julgada o tempo todo. Então pensei que era melhor cair fora. Música é a minha alma gêmea, mas é também o que me impediu de fazer isso por tanto tempo. Senti que se fosse julgada (fazendo músicas) seria muito devastador. Mas pelo menos eu tenho a paixão para passar por isso. “

Nascida em Liverpool em 1982, seus pais se separaram quando ela era muito jovem. Filha única da atriz Annette Ekblom, que estava no elenco original de West End of Blood Brothers, Warner e sua mãe mudaram-se em seguida para Ladbroke Grove, No oeste de Londres, quando ela tinha quatro anos. Ela foi à escola para garotas Masonic Royal School e também ganhou um lugar no grupo de jovens atores no teatro Royal Court’s. Aos 16 anos, ela passou a estudar na Faculdade de Belas Artes (College of Fine Arts) ao norte de Londres, quando então conseguiu o papel de Lorna Doone, ao lado de Richard Coyle no romance passado nos confins de Exmoor durante o final do século 17. Nesse mesmo ano, com 17 anos, ela foi escalada como uma jovem noiva  que acaba corrompida pelo Marquês de Sade em Quills.

“Eu estava levando à sério, mas não esperava nada disso”, diz ela. “Foi impressionante e quando estava nas filmagens, os momentos em que a minha cena estava sendo filmada eram os que eu mais odiava; Ser atriz me parecia errado. Não sei por que eu pensava isso. Me achava sortuda por conseguir os papéis mas nunca estive feliz.”

Warner fez 12 filmes depois de seu primeiro pequeno papel em Mansfield Park em 1999, como a adolescente Fanny Price. Ela interpretou a irmã de Charlize Theron no thriller de ficção científica Aeon Flux em 2005, com 23 anos. Outros notáveis papéis no cinema ​​incluíram o drama americano Winter Passing de 2005, filme sobre uma bartender deprimida/atriz interpretada por Zooey Deschanel, que descobre que seu pai (Ed Harris) é um famoso escritor que acolheu a personagem de Warner , uma estudante, na sua casa. Então em 2008, com 26, Warner desistiu de tudo para se dedicar à música. Para os amigos e familiares, Warner sempre foi conhecida como Millie, destinada a ser um cantora.

“Passei muito tempo tentando descobrir o que eu queria fazer e o nome Slow Moving Millie é uma brincadeira sobre isso porque eu sou  muito lenta para trabalhar. Ter sido uma atriz foi uma parte diferente de mim. É uma separação de identidade “. Nos últimos anos ela tem escrito canções e tentado encontrar sua verdadeira vocação na vida.

“Quando eu assinei com a Island Records, há alguns meses, foi um alívio. Foi assustador me afastar de um trabalho que estava me fazendo ganhar dinheiro. Fiquei com medo de me arrepender… – Mas isto (a carreira como cantora) me mostrou que não foi tão louco assim jogar tudo fora.

Por que ela escolheu cantar música dos anos oitenta? “Eu acho que essas músicas podem ter uma má reputação por causa da maneira ‘boba’ que foram produzidas”, diz ela. “As letras são muito obscuras, mas são entrelaçadas em batidas altas e vibrantes de melodia e som. Mas por baixo disso todas elas são músicas realmente comoventes, e são sobre ter seu coração partido.”

 

 

 

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