Entrevista: Amelia fala sobre o filme ‘Gone’ para o The Telegraph UK (2007)

Após uma meteórica ascensão à fama e uma ligação perigosa com um encrenqueiro de Hollywood, Amelia Warner está determinada  a deixar o resto de sua carreira longe de se tornar um clichê.

Em alguns aspectos, Amelia é como um monte de atores na iminência de se tornar grande. Ela tem 24 anos, é brilhante, fantasticamente bonita, veste ótimas roupas, teve alguns trabalhos fabulosos (Quills, Lorna Doone), esteve em filmes que você nunca ouviu falar (Aeon Flux, Alpha Male) e namorou homens mais famoso do que ela.

Ela até se casou com um – Colin Farrell; nada mais, nada menos – mas apenas por um tempo. E agora ela tem o papel feminino principal – um papel de estrela, na verdade – na produção da Working Title: um thriller psicológico rodado no interior da Austrália chamado A Face Oculta do Mal (Gone), o primeiro filme do diretor Ringan Ledwidge .

Mas em muitas outras maneiras – o mais crucial é o jeito que ela fala e o seu modo de fazer isso (ela não tenta impressionar ou ser charmosa, mas ela faz isso sem querer enquanto fala essas coisas), não importa a forma como ela se veste – Amelia Warner desafia o clichê. “Eu estou tentando ser menos chamativa”, diz ela em um momento, e, certamente, ela está tendo sucesso.

Sobre Sophie, sua personagem em Gone, Warner diz: ‘Ela é só uma menina viajando antes de ir para a universidade. Quer dizer, eu poderia decidir o que ela tinha para o café da manhã e quem a mãe dela era, mas quando estou no set, fazer esse tipo de coisa realmente não me ajuda. Não, eu não planejo nada no modo como trabalho”.

Nós nos encontramos em um pub, o White Horse em Soho (escolha dela). Ela está usando uma blusa vermelha dos anos 60 com aparência impermeável comprada em Paris, brogues (tipo de calçado) vintage de cor branca, meias longas, e jeans que ela enrolou  até os joelhos para que eles se pareçam com uma corsário.

Quando eu lhe pedi para descrever seu estilo, ela me diz que ela gosta de usar roupas masculinas, coisas de 1920, e se vestir como uma menininha ou então como sua avó. ‘Muitos macacões fofos brilhantes e Stilettos brancos” diz ela, perfeitamente séria. Sua estilista favorita é Margaret Howell.

O White Horse é perto da Shaftesbury Avenue (principal rua do Oeste de Londres) conhecida pelos teatros. Será que ela assisti muitas peças? “Eu acho que deveria, porque eu sou atriz”, diz ela. “Mas, na verdade acho que é como uma provação. Quando você assisti algo incrível tudo vale a pena, mas aos poucos eu só sinto o tempo se esvaindo. As pessoas me perguntam se eu quero fazer teatro, mas é uma coisa muito diferente de atuar sem o treino de antes. Você não pergunta a um diretor de cinema se ele gostaria de fazer teatro. ”

Ainda assim, não é como se a Warner tivesse sido treinada para ser uma atriz de cinema, também. Ela aprendeu com o trabalho. É que seu primeiro emprego, além de uma breve aparição como a adolescente Fanny Price, em Mansfield Park, foi como a jovem esposa de Michael Caine no filme estrelado por Geoffrey Rush, Contos Proibidos do Marquês de Sade (Quills) em 2000. Ela tinha 18. Então como aconteceu?

Sua mãe, Annette Ekblom, trabalhou como atriz (a maioria de seus trabalhos foram em televisão, e um tempo considerável no musical Blood Brothers) e criou Warner sozinha, primeiro em Liverpool – até os quatro anos – e depois em Londres . Filha única, Warner não passou muito tempo com seu pai na infância, mas ela fala sobre ele, sua esposa e seus meio-irmãos com muito carinho.

“Comecei a atuar na escola em Herefordshire e sempre gostei, embora não acho que necessariamente faria isso para ganhar a vida “, diz Warner. “Meu plano era ir para Goldsmiths para estudar história da arte, mas alguém me viu em uma peça de teatro na escola e disse que eu deveria conhecer com um agente. Comecei a trabalhar e assim fui adiando os estudos na universidade. Eu fiz um pouco de TV e, em seguida, conheci o diretor de elenco de Quills, fiz o teste para o papel, mandei a fita e consegui. Na forma mais simples, foi assim que tudo aconteceu.”

Mas não é tão simples estrelar ao lado de Rush, Kate Winslet, Michael Caine e Joaquin Phoenix, e não há nada simples sobre como a Warner parece “As pessoas pensam que eu tenho a cabeça cheia de algodão porque eu pareço de uma certa maneira”, diz ela. “Mas é tudo injusto e não posso reclamar.” E não há nada de simples em fazer um teste – qualquer audição – e, em seguida, ficar na espera: o ponto é que é um processo difícil e misterioso.

Ainda assim, Warner se recusa a fazer disso uma grande coisa. Ela estava, pelo menos, nervosa nas gravações? “Eu não sei”, diz ela. “Eu já tinha estado em um set antes, por isso não foi completamente novo. É estranho. Você olha para trás e pensa que foi grande coisa. Você está tão animado e você não tem nada a perder nessa fase. Mas foi mais ou menos isso, eu estava definitivamente na fase de: ‘Uau, eu adoro filmes.’ Era o projeto ideal em todos os sentidos.”

Em 2005, ela interpretou a irmã mais nova de Charlize Theron em Aeon Flux, um thriller de ficção cientifica, e estrelou no drama de Adam Rapp, Winter Passing, interpretando uma estudante que vive com Ed Harris. No ano seguinte, ela esteve em Alpha Male, drama sobre uma família disfuncional com Jennifer Ehle e Danny Huston.

Podem não terem sido filmes muito bem sucedidos, mas as escolhas e papéis, foram mais do que respeitáveis. E Gone é bom. Quando se torna cheio de suspense fica um pouco estereotipado, mas o retrato de três jovens (Shaun Evans e Scott Mechlowicz estrelam ao lado de Warner) que viajam pelo deserto australiano em conjunto, é um exemplo de locação fascinante e boa atuação .

Então, ela não está mais na fase ‘Uau’? “Eu me senti ‘Uau’ com Gone, sim”, diz Warner. “Havia uma energia incrível e eu senti que estávamos fazendo algo de valor. Todo mundo sentiu isso, o que foi bom, porque quando ficou realmente quente e vieram as tempestades de areia, todo mundo encarou de uma forma amável.”

Gone foi rodado em locações no interior. Significava filmar em lugares como Winton, Queensland, que tem uma população de 800 habitantes e nenhum sinal de telefone móvel.

“Foi bastante básico,” Warner lembra. “A cidade tinha um par de bares, mas ninguém se atreveu a ir para eles. Mas a maior parte do filme foi feito no carro.” Como foi isso? “Eu só fiquei dentro dele”, diz ela, sem se parabenizar por isso “É uma daquelas coisas que você olha para trás e pensa ‘Porr*, eu não sei como fiz isso’, mas, na verdade, não foi tão ruim assim.” Ela faz uma pausa. “Eu amo filmes” continua ela, com algum esforço. “É emocionante como um meio. E atuar é um trabalho muito legal, mas não posso me imaginar fazendo isso para sempre. Ultimamente, eu gostaria de estar mais envolvida com a escrita.”

É isso o que ela faz quando não está trabalhando? Warner ri. “Eu sempre tive longos períodos sem trabalho, e eu não me importo, embora muito em breve vou começar a trabalhar em um filme chamado Os Seis Signos da Luz (The Dark Is Rising). É uma adaptação da série de livros infantis de Susan Cooper e é estrelado por Christopher Eccleston. Mas eu não tenho feito muito desde as filmagens de Gone. Tive muito tempo livre desde que comecei a atuar, eu poderia ter feito um ano na universidade por agora, mas é difícil até mesmo planejar férias porque você nunca sabe quando vai conseguir um emprego. Eu leio roteiros e livros. Eu cozinho muito. Comprei um apartamento no ano passado, pela primeira vez perto de Holland Park, e tem sido emocionante. Estamos lidando com um problema de ratos, o que é horrível. Você sabe”, ela diz “o de sempre.”

Ela mora com alguém?

“Meu namorado meio que vive comigo. ‘

E ele é?

“Ele é um diretor (Ringan Ledwidge), mas eu prefiro não falar sobre ele. Ele é maravilhoso.”

Ela está apaixonada?

“Muito. É ótimo. Estou muito feliz.”

Então ela não está correndo atrás de audições ou saindo com outros atores? “Na verdade eu não estou pensando em nenhuma audição”, diz ela. “Não é tudo aquilo que acham que é. E você não precisa necessariamente sair com outros atores só porque você trabalha com eles. Quando eu fiz Quills eu era muito mais jovem do que os outros, e eu pensei, ‘Oh meu Deus, isso vai ser tão legal, todos nós vamos sair em Londres juntos’ E depois nada. Eu estava tão magoada.” Ela ri. “Se existe uma gangue de atores que saem juntos, então eu não estou com eles. Talvez até exista e eles simplesmente não me deixaram participar.”

Ainda assim, ela saiu com outros atores do seu tempo, e mais ou menos por oito meses, com Colin Farrell. Eles se conheceram na estreia de Quills, e saíram de férias quatro meses depois para o Taiti, onde eles se casaram, embora o casamento não tenha sido legalmente vinculativo. Eles se separaram quatro meses depois. Eu pergunto a ela sobre isso, mas ela diz simplesmente: “Eu não quero falar sobre isso, principalmente porque não há nada a dizer.” Ela encolhe os ombros e sorri.

Melhor que do que ficar apenas na defensiva, já que ela só tinha 19 anos, e ela e Farrell – ambos jovens atores com carreiras promissoras – tiveram uma história intensa e eu me empolguei. Talvez Amelia Warner esteja certa em não dar muita importância a certas coisas. Sem dúvida, há muito mais para vir.

 

Entrevista feita por Daisy Garnett em fevereiro de 2007.

 

Veja screencaps e stills do filme Gone clicando aqui.

Assista ao trailer do filme:

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s