Entrevista: Amelia Warner para o The Guardian USA (2005)

Entrevista: Polly Vernon

Amelia Warner tem uma teoria sobre a relação entre arte e vida. “Eu tenho essa ideia de que quem você interpreta na Natividade (referente ao Nascimento de Jesus) indica quem você é na vida. Quando eu tinha quatro anos, eu interpretei Maria. Mas não fui um bom tipo de Maria, eu era bem mandona. Parei a peça no meio só para dizer ao José que ele estava fazendo tudo errado. Então, aquela era eu … Tenho essa melhor amiga que era tão ressentida sobre nunca ter sido a Maria. E todos sempre diziam: ‘Oh, eu era o anjo Gabriel ‘O Mensageiro’,  nunca a Maria ou José…’. Você já reparou nisso? Então, sim, quem você é na Natividade refere-se, você sabe, ao seu … “

Momento na vida?

“Hmm…talvez. É uma teoria estranha, eu sei. “

No qual é ainda, no caso da Warner, uma hesitação. Warner é inconfundivelmente autoritária, a menina eternamente escalada como Maria na peça de Natividade da vida. Ela está na lista sobre os ‘Belos Jovens Britânicos’ sem preocupações. Ela é linda (possui uma postura delicada, olhos de cílios fartos, um sorriso encantador e auditório,  com toda aquela pele luminosa e brilhante como a lua, e assim por diante); ela está pronta. Ela é  uma boêmia e elegante cidadã de Portobello Road (uma economista dedicada, que não “possui uma única coisa nova, é tudo de segunda-mão, todas as minhas lojas favoritas são um pouco assustadoras e cheiram engraçado, e eu sei a localização exata de cada mercado decente de velharias no mundo”) um trabalho sujo para uma princesa desencanada. Ela é uma atriz de considerável habilidade, e, no entanto, apesar da nova tradição de talentosos jovens famosos que não são mais espertos do que a maioria e só pensam no luxo, Warner não quer ser uma estrela de cinema. “Honestamente, isso não significa nada para mim” diz ela. (Seu sotaque é metade meio hip-oeste de Londres, de acordo com sua própria – e muito legal- descrição) “Eu quero ficar abaixo do radar e fazer bons filmes. Tenho que ter cuidado, não quero que a minha vida mude. Eu realmente não quero ser uma estrela de cinema.”

Ela vai testar os limites do controle da fama em 2006. Ao longo do próximo ano, ela vai estrelar quatro filmes: Stoned, drama de Stephen Woolley que conta a história do ex membro dos Rolling Stones, Brian Jones; Alpha Male de Dan Wilde;  O thriller de ficção cientifica  Aeon Flux, no qual ela estrela ao lado de Charlize Theron, e o drama literário de Adam Rapp, Winter Passing. Com a exceção de Aeon Flux, eles são essencialmente pequenas produções de baixo orçamento, no entanto, eles oferecer uma séria exposição para a Warner.

Warner na verdade não assistiu nenhum desses filmes ainda. (“Eles são muito protetores sobre esse tipo de coisa, os norte-americanos. É só no caso de eu vender algo para o The National Enquirer, eu suponho.”) Mas no todo, ela diz que está mais orgulhosa de Winter Passing. “Por causa de Ed Harris, oh meu Deus! Foi tão assustador! Ele me matou de susto. Ele é tão adorável, mas apenas o pensamento dele… E você sabe, ele é tão… Intenso. Mesmo quando ele está realmente controlado, ele é intenso. Mas é uma coisa estranha que de alguma forma, quando você está no set e as câmeras não estão ligadas, você fica intimidado por pessoas, com medo ou ansioso, mas em seguida, uma vez que as câmeras estão gravando, você tem sua cena e o seu papel, e seu momento com eles, e tudo vai embora. Uma vez que você está fazendo isso, vocês já se conhecem há anos, e … bum! Sim. Isso é atuação. Esse é o real fingimento. “

Amelia nasceu há 22 anos em Liverpool, filha da atriz de TV e teatro Annette Ekblom e um pai músico que ela não quer o nome; ele separou-se de Ekblom quando Warner era muito jovem. Quando ela tinha seis anos, Amelia e sua mãe se mudaram para um conjunto habitacional em Ladbroke Grove. Ela se deu bem no oeste de Londres com a vizinhança em virtude de sua beleza e seu novo endereço – ‘Bem, mais ou menos. Eu sou definitivamente uma garota que prefere o oeste de Londres – enquanto Ekblom ganhou um papel na produção da West End ProductionBlood Brothers.

Warner  foi criada em uma sucessão de reuniões e salas verdes de gravações? Cercada de técnicos de produções e cabos de câmeras? “Um pouco. Quando Blood Brothers estava acontecendo eu visitava os bastidores constantemente. Mas ela não me levava para audições, ela não queria me arrastar junto, eu não vi muito daquele mundo”.

Ela meio que ‘gostou do que viu’, mas insiste que não foi isso que a fez querer atuar. Na verdade, nada a fez querer se tornar uma atriz . “Não! De modo nenhum. Embora talvez tenha sido, em algum momento. Eu não sei. Talvez sim e eu realmente nunca tenha dito antes. “

Por causa da mãe dela?

“Não. Não é por causa disso. Talvez eu estava envergonhada. Tremo quando as pessoas ficam tipo… (Warner adota profundos tons de auto-consciência , como as máscaras de Thespian) ‘Eu vou ser uma atriz’! O que basicamente é o que se pode dizer de mim. Mas me deixou desconfortável pensar ou dizer que eu queria fazer isso … Então, eu não disse. Eu caí nisso, para ser sincera. E então, quando percebi que já tinha começado, pensei em tentar pelo menos, dar-lhe uma chance e ver como era. “

Depois de conseguir o papel de protagonista na peça de Natividade  na escola primária, Warner passou a aparecer em uma sucessão de espetáculos teatrais para jovens. Ela evitou escola de teatro, porque: “Não consigo pensar em nada pior! Estar rodeado durante três anos por pessoas que querem as mesmas coisas que você. Como isso pode ser saudável? Quero dizer. Estar rodeado de atores, basicamente. “

Aos 16 anos, ela foi flagrada por um agente em uma peça no Royal Court Theatre Youth (um evento que ela refere-se com desinteresse, atitude de uma menina que não percebe que esses tipos de coisas não acontecem com a maioria das pessoas). No ano seguinte, seu último na escola, ela foi escolhida como a jovem noiva de Michael Caine no sensual drama sombrio Quills, que  mostrou os últimos dias do Marquês de Sade. “O que foi realmente emocionante, mas também… Eu era um pouco jovem.”

Como foi que ela lidou com o conteúdo explícito?

“Na verdade, o roteiro que eu li foi muito mais explícito. A coisa é que, eu amei muito o roteiro, e minha mãe leu, bem quando eu o consegui, e ela adorou. Acho que você meio que pensa ‘bem, eu vou lidar com isso mais tarde’. No roteiro original havia nudez, que foi tudo tirado porque eu era menor de idade na América. Ufa. Isso foi um grande alívio. Eu não sei como eu teria me sentido sobre isso na realidade. Eu não tive que fazer [cenas de nudez] ainda. Eu recusei coisas por causa disso, porque parecia fútil, o que 99% do tempo, eu acho que é. É tão esperado! ‘Você é uma atriz, por isso você deve tirar a blusa!’… Mas, mais cedo ou mais tarde, acho que isso vai acontecer e é assustador.”

Foi na estréia de Quills que Warner conheceu Colin Farrell, o bad boy de Hollywood por quem ela se apaixonou. Depois de um relacionamento de oito meses, os dois foram para o Taiti, onde andaram de  jet-ski, alimentaram tubarões e depois se casaram. A cerimônia não foi juridicamente vinculativa – “Era só uma coisa para nós “, explicou Warner – o que foi um golpe de sorte, porque depois de quatro meses, os dois se separaram.

“Eu o amei muito”, diz Warner no passado. “Eu tive os momentos mais incríveis da minha vida com ele. Ele foi um parceiro fantástico. Eu teria me casado com ele de verdade. Mas éramos muito jovens. Eu tinha coisas para fazer, e ele tinha coisas para fazer “. Agora, no entanto, ela é um pouco mais taciturna sobre o assunto. “Eu não vou falar sobre isso em tudo ” diz ela, em resposta a mais uma pergunta sobre Farrell. Seu rosto se fecha para baixo, e a sua explosão repentina de desconforto parece de alguém bem mais velho, e mais aterrorizante.

Nós seguimos rapidamente em frente. Agora, Warner diz, sua vida é tudo sobre o seu trabalho, e seus amigos (para quem ela compra vibradores como presentes de Natal. “Eu acho que toda mulher deve ter um. Eu não posso acreditar que elas ainda não tinham. Elas sempre dizem:”Oh não, eu não poderia comprar para mim, mas então, se alguém me comprasse um…”) e tem a mãe dela, que se mudou para Gloucestershire com cavalos e cães. “Eu sinto falta dela. Mas ela adora.”

Ela precisa ficar um pouco mais em  Los Angeles por causa do trabalho. “Eu nem sequer  quero falar sobre como eu odeio LA”, diz ela. ‘É tão Inglês odiar LA. Eu gostaria de dizer que eu amo, mas não. É um lugar tão estranho. Se fosse minha escolha, eu não iria passar um dia lá. Tudo fecha às 11. E todo mundo acha que eles são tão loucos e selvagens e liberais e eles não são! Tem muitas oportunidades de trabalho, mas tanta merda acontece lá também. Mas se estou indo para trabalhar lá, eu não quero ir e ouvir as pessoas dizendo: “Você é uma porcaria! Se não gosta, vá se fod*r  e volte para a Inglaterra, então.”

E ela ama trabalhar. Regulares confusões em LA valem a pena. Existem poucas coisas que ela não faria por um personagem, além do que ela considera nudez ‘sem sentido’. E sobre dormir com o diretor de elenco: “No minuto em que eles dormem com você, por que lhe dariam o trabalho depos?”

Quanto à competição constante, a rejeição e a incerteza sobre atuar, Warner lida com isso anulando cada instinto competitivo que ela tem. “Eu sou ambiciosa, mas não competitiva. Você ficaria louco se fosse assim. Você sabe, existem trabalhos o suficiente para todos nós lá fora.” O que não é verdade, mas é certamente bem ajustável.

Amelia Warner é igualmente bem ciente sobre seu status como a ‘Beleza Britânica de 2005’. “Ser a menina bonita… você não iria querer isso”, diz ela alegremente. “É ultrapassado. Ser sexy é realmente muito chato para mim. Eu prefiro ser…” Ela faz uma pausa, e levanta uma elegante sobrancelha maliciosamente “Eu prefiro ser interessante. Faça-me parecer interessante”.

 

Publicado em janeiro de 2005.

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Amelia Warner na premiere do filme “Stoned” (2005)

 

Amelia Warner esteve presente na estréia do filme “Stoned”, que ocorreu no dia 17 de novembro de 2005, em Londres.  No filme, que conta a história de um dos fundadores da banda britânica Rolling Stones, o excêntrico Brian Jones ( interpretado pelo ator Leo Gregory, que aparece em algumas fotos abaixo), Amelia faz uma pequena participação interpretando a personagem Janet. Ela também marcou presença na After Party da estréia, e você pode conferir as imagens (em LQ e HQ) a seguir:

>> Amelia na estréia do filme “Stoned”, novembro de 2005 (LQ):

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